sábado, novembro 15, 2008

"Carta aberta aos Almadenses"

Em...Almada porque é fundamental dar a conhecer e divulgar, o EMALMADA aplaude e associa-se a este importante documento de uma almadense.
ex-rua José Justino Lopes, actual "Canal Ferroviário" José Justino Lopes
Carta aberta aos Almadenses
Caros concidadãos, Fazendo eco do mote vindo do outro lado do Atlântico, sim, nós podemos! Podemos, sim, podemos e devemos questionar aqueles que, alegadamente, nos representam e a quem entregamos os nossos impostos, suor e lágrimas na presunção de serem usados no bem comum, sobre o que de facto deles fazem. Num país governado, no que a impostos respeita, a garrote e canga, onde o ditado se subverte enquanto damos a uva para no-la restituírem em parras, é urgente inquirir sobre decisões comprovadamente erradas. E hoje tenho, tal como muitos de vós, imensas questões a levantar sobre o designado Metro ligeiro na cidade de Almada.
A primeira e que nos perpassa pela mente sem que tenhamos de ser engenheiros, bastando-nos o bom senso, é; como foi pensado o traçado escolhido? Ou melhor, foi o traçado deveras “pensado”? A minha dúvida reside no facto de terem transformado a entrada principal da cidade, por isso mesmo a mais movimentada, numa via secundária de uma única faixa para cada lado, com escolhos sinuosos travestidos de paragens, atravessada por duas linhas do “moderno eléctrico” – que poderiam ter sido soterradas - e cujos semáforos em hora de ponta se limitam a alguns segundos de intermitência, com os engarrafamentos que isso acarreta. Como se não bastasse, ainda transfiguraram pequenas ruelas interiores em ruas principais, sem espaço ou sentido, muitas delas obrigando a volteios intermináveis por dentro da velha cidade sem destino plausível, apenas isso mesmo, volteios sem chegar a lado algum. Ruelas outrora pacatas, marcadamente vivenciadas pela população mais idosa da cidade, e que se vêem, em nome duma suposta requalificação, lotadas de carros, alguns perdidos no labiríntico devaneio de quem o idealizou, e as expectáveis buzinadelas de gente já à beira de uma crise de nervos. Se isto se passa com o cidadão que se desloca para e do trabalho, imagine, quem ainda não testemunhou, o problema das viaturas de emergência; trancadas entre veículos que não têm para onde se esgueirar a fim de dar passagem àqueles sobre quem pesa a necessidade premente da urgência. Lastimável? Não, vergonhoso!
Não querendo ficar por aí, todos sabemos como a edilidade pilhou os estacionamentos da cidade em nome duma outra ideia de progresso, a mobilidade. E afirmo pilhou porque todos nós pagámos esses estacionamentos aquando da compra da casa pois, para quem não o saiba, as envolventes das edificações são pagas pelos construtores das mesmas que, por sua vez, vertem esse custo no preço final dos imóveis. Hoje, esses estacionamentos pagos não são mais do que empedrados grotescos e ondeantes com pseudo definição de arte portuguesa, sem qualquer outra serventia senão a de esperar que alguém se passeie sobre eles, quiçá em busca da cidade perdida, e com outra virtude escondida, a de amplificar os sons da cidade. Ainda antes, essa mesma edilidade instituiu uma espécie de polícia camarária cujo objectivo, leia-se multas, é conseguido por meio de emboscadas e autênticas esperas ao “infractor”. Se tudo isto não é uma forma de pilhagem, perdoem-me mas o meu dicionário não lhe atribui outro vocábulo, provavelmente por notória falha minha de português.
Mas não expiram aqui os erros no que toca às pretensas Requalificação e Mobilidade sem falar de outro atentado às mesmas feito no famigerado triângulo da Ramalha. Depois de muito acesos fóruns de eventual opinião pública, depois de debatidas, estudadas, escolhidas e autorizadas opções mais viáveis, eis que sujeitam as ruas Lopes de Mendonça e José Justino Lopes à mais completa devassa dos direitos de qualquer cidadão deste país. Para além da perda dos estacionamentos para cerca de uma centena de automóveis, o designado canal do metro imiscui-se entre os prédios roçando portas principais e entradas para garagens, transformando o que antes era uma zona aprazível, até chamada nobre, numa salganhada de linhas, postes, semáforos, sinais de trânsito – quais palitos espetados num pedaço de queijo – e dificultando uma simples descarga de compras ou tornando o arrumar do carro na garagem numa missão quase impossível. E aqui subjaz a segunda questão: com que argumentos se convenceu, ou se deixou convencer, o Estado, dono da obra, a optar por uma solução mais cara e muito mais fracturante na qualidade de vida dos munícipes, se já havia autorizado a proposta dos mesmos?
Ora, se com as denominadas “Requalificação e Mobilidade” estamos como aqui se descreve - recorrendo a novo ditado, é caso para dizer que foi pior a emenda do que o soneto – passemos à terceira e última questão, mais do que pertinente; desconhece o executivo camarário o ruído ensurdecedor do guinchar metálico e perfurante das rodas nos carris do transporte apresentado como silencioso? Não, não desconhece porque muitos de nós já fizeram chegar o seu desconforto, para dizer o mínimo, ao dito cujo executivo. Mas como em tudo o mais que se refira a interpelações dos munícipes, a noção de democracia da edilidade não lhe permite sequer acusar a recepção do correio electrónico, quanto mais responder-lhe. E quisera eu falar apenas na estridência de ferro contra ferro, agora já se lhe juntou uma espécie de martelar profundo, como se as rodas das composições fossem quadradas. Não tem sido possível dormir, ou simplesmente intentar fazê-lo, com semelhante vizinhança, ainda em testes, e eis que estamos no século XXI, num Estado de direito no qual os cidadãos são tidos em conta tão-somente a cada final de mandato.
Tenho votado neste executivo, confesso antes que me atribuam intenções escusas, pelo que assumo a minha quota-parte de culpa neste desastre e não, não estou contra o Metro, estou contra o que dele fizeram. Mas nunca é tarde para mudar e recuperar a dignidade. Mataram Almada, que não matem a nossa voz!
GMaciel http://inflorescencias.blogspot.com/

9 comentários:

antónio s. matos disse...

Minhas felicitações a esta almadense, que de modo claro, preciso e directo, retrata o que se passa em Almada e o que a Câmara associada ao Governo deste Portugal, fizeram da cidade à revelia de seus habitantes.
Bem haja.

JOÃO ROBALO disse...

Almadenses
Permitam-me esta sugestão:

ESTA CARTA ABERTA AOS ALMDENSES, é a expressão de um sentir colectivo escrito por uma pessoa que reside em Almada.
Não distorce a realidade na sua certeira avaliação do que é Almada e dos aspectos negativos para Almada do MST, porque a Presidente da Câmara não deu ouvidos aos almadenses, aos moradores, às populações.

Face à relevância deste documento e porque sabemos do controle que existe sobre a comunicação social exercida por quem controla o poder seja governo ou autárquico, com requintes que nem aos de antigamente lembrava, sugiro que quem esteja de acordo com o teor da Carta Aberta, que faça pelo menos dez cópias e as passe a almadenses,amigos, vizinhos, colegas de trabalho, ou conhecidos, pedindo que cada receptor, podendo faça também dez cópias e as repasse, estabelecendo-se assim uma cadeia para fazer passar a mensagem.

ISTO É IMPORTANTE PARA ALMADA, PARA LIBERTAR ALMADA DO AUTISMO QUE A GOVERNA.

Julgo que não é difícil fazê-lo. Hoje queM tem um computador e impressora possivelmente tem também possibilidade de fazer fotocópias e não fica caro.

Eu vou fazer cópias e distribui-las

SÃO SÓ 10 FOTOCÓPIAS por ALMADA!

Anónimo disse...

A carta aberta é uma lição de civismo e cidadania.

Parabéns, GMaciel.

Ponto Verde disse...

Há um descotentamento cada vez mais generalizado com esta gestão. Para além disso a mensagem da CDU a Sul do Tejo já não pega.

O projecto MST padeceu da teimosia do mando quer e posso . E todos nós vamos pagar isso bem caro.

Com o excelente projecto do Metro do Porto a funcionar, aqui não se quiz aprender com a Invicta que enterrou o metro nas zonas residenciais, o que deveria ter dido feito em Almada a partir do Centro Sul.

Tudo o que foi feito a partir daí foi errado e as consequencias aí estão à vista de todos.

EMALMADA disse...

João Robalo

Excelente ideia.

Anónimo disse...

Quem tinha dúvidas estão desfeitas. Almada velha está vocacionada ao abandono pela MES. Almada Centro shopping e Lazer?... O tal perimetro delineado é o que?... Srs Comerciantes revoltem-se façam como os professores não deem treguas a este poder local e à sua DONA que apenas se está rentando para os outros. O Espaço canal e o metro é que interessa para ficar bem com o seu metro.

Anónimo disse...

A diarreia verbal da presidente da cãmara de Almada dá-lhe para balbuciar um chorrilho de disparates quando lhe dão oportunidade de falar seja em público ou para a comunicação social.

Anónimo disse...

Atenção que a capacidade de MES está em fase descendente.
Sei do que falo.
Será de aproveitar para unir forças e vontades no sentido de baixar drasticamente o nível da abstenção.

Já se admite nos corredores deste podre poder a possibilidade de perder a maioria absoluta.

Ora isto era impensável há pouco tempo.

Anónimo disse...

Amigos,

A inauguração do "combóio" está para breve!

É importante que nesse dia, e na presença de quem venha, a nossa voz de revolta se faça ouvir.

Lanço o repto de se colocarem panos pretos nas varandas e janelas da nossa cidade!

TODOS TEMOS O DIREITO À INDIGNAÇÃO!